Sem velas pra queimar
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LACUNA
Café amargo,
vidraça descortinada,
jardineira deserta...
Onde
o sabor,
o aconchego,
a flor?
A cama arrumada,
a canção errada,
o espelho sem batom...
Onde
o amor,
a lembrança,
a cor?
Nossa antiga foto,
de carícias, emoldurada,
colhi e poli com esmero...
Onde?
À entrada da casa...
Sentindo desespero...
Sem ti, eu espero...







Sossego agora
Sigo-te sempre...
Eu depo
São duas horas...
Engulo em seco a saliva insípida.
Nesta saudade surda,
o sono sobra e assopra só pra mim:
A sua sina!
“Eu assassina?”
Sou somente a sobra dessa ausência.
Ensaio o ciciar:
Do solo
Selando-te
Eu desolada?
Calma, contida; farsa consentida
Da sábia saída soa um nada:
A sete chaves...
São sete palmos...
Às sete horas, a homenagem:
um minuto de silêncio... teu!
Teu silêncio já é eterno...
O meu também.
(*Cris Dakinis - do livro "Aos Distraídos!" / 2010)
