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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

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DIVULGAÇÃO DO RESULTADO DO II PRÊMIO DE POESIA SPA - 2018



RESULTADO DO II PRÊMIO DE POESIA SPA 2018 - Tema: AMIZADE

MODALIDADES:

INFANTOJUVENIL GERAL
1 – “Anjos” - Maria Irmany de Sales Ribeiro, São Paulo / SP
2 – “Intimidade” - Tainara Silva Almeida, Diamantina / MG
3 – “A bênção, Conrado” - José Rodrigues do N. Neto, Rio de Janeiro / RJ

Anjos – Maria Irmany de Sales Ribeiro (Primeiro lugar)

Meus anjos têm nome, idade e sonhos.
Têm nos céus a crença e na Terra, a esperança. 
Descobrem o meu sorriso e o fazem eterno, 
já que a eternidade já não é mais um sonho para nós.

Meus amigos são o meu alicerce, o meu abrigo.
A morada do meu carinho, a liberdade em meu coração.
Desejo que o tempo pare por um segundo
para que eu os tenha para sempre ao meu lado. 

Não sinto mais a chuva da amargura,
o vento frio da tristeza não me traz arrepios,
pois quando o brilho da fé renasceu em meu âmago,
percebi que nunca mais choraria com a solidão.

Caí no abismo dos rancores e dos suplícios,
mas ao longe escutei o ruído das risadas ternas.
Os anjos me resgataram, me iluminaram. E nunca mais vivi sem razão. 
  
Intimidade – Tainara S. Almeida (Segundo lugar)

Diante de ti, despi minh'alma.
Convidei-te a penetrar meus sentimentos.
Mostrei-te meu lado obscuro.
Revelei-te segredos obscenos.
Permiti que adentrastes meu íntimo.

Ofereci meu colo para que descansasses.
Dei-te meu ombro para que chorasses.
Fiz de ti meu porto seguro.
Juntas, vencemos o mundo.

Hoje olhas por mim aí de cima.
Aqui embaixo, choro tua ausência.
Mas sei que entre nós nada mudou.

Pois amizade não é presença.
É um estado de permanência.
É sobre quem foi, mas no peito ficou.

A bênção, Conrado - José Rodrigues do N. Neto (Terceiro lugar)

Da vida carrego o abraço tenro,
Da criança nascida em inocência.
Sopro em pureza, recém em tempo,
Amizade utópica: leveza na essência.

Afaga-me, Ser, ouça-me em sua derme.
Ó amigo sincero, com qual feliz lapido,
Cintilante amizade. Mente que aquece.
O Ser genuíno; sincero monge, sabido.

Corroer-te-ás neste mundo, devaneado.
Companheiro, não siga! Pra que crescer?
Questiono-te: serás o mesmo, Conrado?

Tu mudaste, confesso, vi-te morrer.
Tua amizade, ó anjo levado, guardo,
Tu em Céu, eu na Terra: um só Ser.


  
ADULTO GERAL
1 – “Meus amigos” - André Felipe Soares Foltran, São José do Rio Preto / SP 
2 – “Ode Alexandrina Victorina à amiga ampulheta”- Carlos Brunno S. Barbosa, Valença / RJ
3 -- “Amizade de luz” - Priscila Pettine, Bela Vista / SP
4 – “Minha amizade” - Sérgio Bernardo, Nova Friburgo / RJ
5 – “Saudosa amizade” - Márcia Jáber Juiz de Fora / MG



Meus amigos - André Foltran (Primeiro lugar)

Sobre o tema amizade outros cantaram
a comunhão das almas. Mas eu não:
meus melhores amigos se mataram
— ficaram uns em decomposição.

Todos os meus amigos fracassaram,
não chegaram ao primeiro milhão.
Os filhos que tiveram não vingaram,
frutos podres de estranha geração.

Meus amigos, nunca eles se casaram
(nem fui eu a quebrar tal maldição).
Toda noite, os que não suicidaram

vêm à minha decrépita mansão
esquartejar a vida — acho, preparam
um monumento à Grande Depressão.


Ode Alexandrina Victorina à amiga ampulheta- Carlos Brunno S. Barbosa (Segundo lugar)

Saudosa ampulheta, meu remoto relógio
de areia das praias da Região dos Lagos,
cujo escorrer para tantos é implacável,
venho nesta ode negar-te o ar de necrológio.
És comparte longeva das terras que afago;
como poeta, oferto a ti adjetivo amável:
és amiga da arte, a ela dás todo apanágio,
em teu fluxo sossegado de tempo eu vago
e divago essa efemeridade infindável.

Fluminense ampulheta, ancestral companheira,
sócia das areias de São Pedro da Aldeia,
ao teu lado, é mais suave a brevidade,
por isso peço-te: aceita esta ode praieira
em homenagem à nossa eterna amizade.


Amizade de luz - Priscila Pettine (Terceiro lugar)

O carinho recebido em plena paz,
Ao seio d'alma ansiosa na amargura,
É semente que bom fruto traz,
É centelha que em sol se transfigura.

Semente fértil, de virtude rara,
Quantos frutos por aí produz...
Aprumando a mente de qualquer amarra,
Um amigo salva-lhe trazendo a luz.

Bendito aquele que tão fortuito faz
Da amizade, a exemplar semeadura,
Aos lugares de treva pertinaz
De onde se esparge a luz que mais fulgura.


Minha amizade - Sérgio Bernardo (Quarto lugar)

Não vou alimentar sua tristeza
dando-lhe mágoa e solidão na boca.
Nem concordar que sua vida é oca,
nem aceitar que a luz não foi acesa.

Não quero ouvir seu grito com voz rouca
dizendo-se faminto e sem defesa;
antes, serei o pão à sua mesa,
serei seu anjo de feição barroca.

Em lugar de sermões, dizeres sábios
que rabisquem o choro nos seus olhos
e desenhem sorrisos nos seus lábios.

Vou ser amigo junto do seu cão,
levar seu barco longe dos escolhos
e no meu colo pôr seu coração.


Saudosa amizade - Márcia Jáber (Quinto lugar)

Sem querer, sempre volta essa memória,
perdida na lembrança empoeirada,
que esconde a lamentável, triste, história
de uma grande amizade abandonada .

Os balanços nos velhos arvoredos...
Livres pelas campinas... Pés no chão...
Unidos na amizade e nos folguedos,
mais que amigo, era tudo, era irmão!

Veio o vento da vida e nos soprou
para lados avessos do destino,
o tempo, tão veloz, nos separou

e pôs cinzas em tudo que restou.
Hoje, vive em minha alma o eu menino,
lamentando a amizade que findou.

  
ADULTO REGIONAL E INFANTOJUVENIL REGIONAL
(Classificação REGIONAL única)

1 – “XXXII” - Flávio Machado, Cabo Frio / RJ
2 - “Solicitação de amizade” - Rafael Alvarenga Gomes, Cabo Frio / RJ
3 – “Aos amigos que partem” – João Costa, Saquarema / RJ ("in memoriam")
Menção Especial: Maria Carlota da Silva Guimarães, 89 anos, São Pedro da Aldeia / RJ


XXXII - Flávio Machado (Primeiro lugar)

(1973 o ano que não terminou)

tenho saudade das reuniões em Campo Grande
todos estavam vivos
não éramos fotografias doloridas
podemos ouvir as vozes abafadas
na madrugada

tenho  saudade
das tardes de domingo
da casa de um quarto da rua Cananéia
da escola na rua Guararema
dos amigos vivos

o quanto se perdeu nesses quarenta e tantos  anos ?

desmanchou - se no tempo o que nos parecia eterno?


Solicitação de amizade - Rafael Alvarenga Gomes (Segundo lugar)

alumiou
nos olhos do gato
meu rosto suado

é que gato
não abre a porta dos olhos
pra quem ainda
não tem amizade

miou
na boca do gato
meu pedido negado


Aos amigos que partem – João Costa (Terceiro lugar) - "in memoriam"

Os meus amigos estão indo embora,
estão partindo, deixando saudade.
Quão triste é constatar essa verdade,
que desencanta, entristece e apavora.

Perder alguém a quem a gente adora,
aquela grande e sincera amizade,
é triste, doloroso, é crueldade.
A gente não aceita, sofre e chora.

Fica aquele vazio impreenchível,
no peito aquela sensação horrível
de “nunca mais” sempre a nos torturar.

Nuca mais a presença tão querida,
nunca mais aquela preciosa vida,
nunca mais o sorriso, a voz, o olhar!

Ilustres jurados desta edição: Edweine Loureiro, Rodrigo Poeta e Tatiana Alves.
Agradecimentos à Prefeitura de São Pedro da Aldeia, pelo apoio através da Secretaria de Cultura de São Pedro da Aldeia; agradecimentos à Editora Jogo de Palavras pelo incentivo, na pessoa do Escritor João Paulo Lopes de Meira Hergesel.
__
Foram recebidas 563 inscrições. Desse total, 12 (doze) poemas classificados serão agraciados com a premiação do II PRÊMIO DE POESIA SPA.
           
A premiação se dará no primeiro semestre de 2019, em data a ser estipulada, a fim de que possam ser impressos os poemas dos poetas classificados. Cada classificado terá direito a dois exemplares da antologia de poemas e medalha de sua premiação no II PRÊMIO DE POESIA SPA.



Troféu SESC/PR Cornélio Procópio 2018, com Prêmios





Troféu Maria Mariá 2018, com prêmios - Academia de Letras de Maringá



Manifesto



https://www.cantagalo.rj.gov.br/noticia/20229/Festival-de-Poesia-Falada-em-Homenagem-ao-Escritor-Euclides-da-Cunha-Premia-Vencedores


Este poema
é meu hálito,
a temperatura de meus pulsos
e o pulsar de meu colo.
Leia meu espírito 
que nele passeia
e decora o brilho de meus olhares
Nesta paisagem altaneira.
Mas se espinhos cabem nesta miragem
de cactos e secas
tantas vezes desoladora,
e outras tantas e tantas que me enternecem,
eu evoco a nossa brasilidade,
as nossas raízes...
Não me conformo com a covardia de ambições
e, na lavra, desta lide literária, eu defendo
Os Sertões...
Nas letras, inebriado de minha inspiração pátria,
trago agora o meu poema sem espinhos,  
porque transformado em um manifesto de carinhos,
este pretenso poema libertador,
em homenagem a Euclides da Cunha,

Nosso heroico e ilustre escritor ...
(Classificação no Festival de Poesia de Cantagalo/RJ/2018 - Modalidade "Os sertões")

* Cris Dakinis