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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Meu troféu Augusto dos Anjos - Presente da declamadora Neuza, Leopoldina / MG



JANELAS AO VENTO

Areia e cheiro de mar
no rastro da soleira
de tua porta.

Fadiga
das janelas ao vento,
abandonadas
a desbotar
o azul das venezianas,
tatuando a parede
antes florida, antes viva.

O sol cai por detrás
das telhas mornas,
e há ainda tanta presença de vida...
Porém ninguém me atende mais
chamar ao portão.

Cris Dakinis

(Poema finalista do Prêmio Augusto dos Anjos, Leopoldina / MG - 2017)

Em algum lugar do Passado - Cris Dakinis



Em algum lugar do passado
No lago, ao som de Rachmaninoff, a bela dama contemplava o jovem escritor a remar contra o tempo para reencontrá-la eternamente.
Cris Dakinis
(mini conto do livro Mania de grandeza, Ed. Livros Costelas Felinas,2018)

Concurso POESIARTE 2018


Já estão abertas as inscrições para o Concurso Literário POESIARTE, com data limite de inscrição até o dia 7 de julho. O tema desta edição é "Coração". Organização de Rodrigo Poeta, Cabo Frio / RJ.

Diário de Bordo, novo livro de Téia Camargo


Téia Camargo, Maria do Carmo Guimarães Rodrigues lança seu novo livro Diário de Bordo, em formato e-book, e em breve publicado em mídia de papel.

Cururu, o sapo jururu - peça teatral de Tatiana Alves

Um sucesso da escritora Tatiana Alves, em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal até dia 20 de maio de 2018.
(na Cinelândia, Centro RJ)

Elipse - Cris Dakinis


Elipse

Segue qual folha seca pelo vento
Sem rumo ou meta, pensa no agora
Galga desníveis pelo mundo afora

Vive ilusão e arroubos do momento

Drummond versou José no sofrimento
E o tolo? Esse finge que lhe aflora
Um fardo nobre, o lúgubre lamento
E a fantasia de quem também chora

Mas a verdade é que o mundo real
Não presenteia o tolo em pantomima
E descortina a farsa teatral...

Desentendendo o que o mundo ensina
O seu trajeto faz-se todo igual
E a sua roda gira a mesma sina...

(soneto do livro Adágio Ensolarado)

Livros editados do Prêmio Miau de Literatura - Mania de grandeza, Cris Dakinis


Todos os autores vencedores do Prêmio Miau de Literatura, promovido pela Ed. Livros Costelas Felinas, já estão com seus livros. Adquira com os autores contemplados.

Tardes de abril - Cris Dakinis



Tardes de abril
Enquanto a lagoa desenha
a estampa sonora 
da revoada de passarinhos
de volta aos ninhos,
eu flerto com o entardecer
posto que nos sintonizamos
com as árvores barulhentas
e o aroma das folhas verdes
na orla salgada e úmida...
Há um ritual pagão
nas tardes de abril:
a areia perdendo o bronze
o horizonte ganhando lume
o vento morno e moroso
a chuva por acontecer...
Uma coruja antecipa o anoitecer
no teto baixo da nuvem fria,
o silêncio dorme em cada ninho, 
e eu retomo o meu caminho.

Cdakinis

Telas - Cris Dakinis


Telas
A mesa da cozinha
exibe uma janela
na tela...
Plágio da vista 
lá fora agora.
No moinho, as pétalas
da margarida colorida
aquarela o céu azul,
a serra verde limão,
o sal branco no chão,
seu miolo é o sol,
obra de Thiago e Carol.
E eu só vejo São Pedro da Adeia
hasteando a bandeira brasileira.

Cdakinis

Perfume de outono - Cris Dakinis


Perfume de outono

O cheiro ativo de ameixa,
chá, laranja, baunilha e mel
desce os degraus de madeira,
atravessa a soleira úmida
e debruça-se à janela nublada,
sob telhas salgadas de areia...
Ignoro flores,
sem jasmim,
sem carmim,
sem jardim,
sem canteiro...
Deixo o chuveiro,
e preguiçosamente fresca,
visto o aroma frutal
de um amanhecer outonal.

Cdakinis

Na noite de Diamantina - Cris Dakinis

Na noite de Diamantina
Recebo a foto
de uma igrejinha
histórica, relíquia mineira...

É a imagem noturna
de uma grande pequenina
debaixo de um céu cobalto
onde luzes de lampiões
flutuam como velas acesas
ao redor, em adoração.

Eu adivinho
a lua a espiar lá de cima,
ansiosa por ser ela a pérola
desta caixinha de joias
que cintila silenciosa,
humilde e luminosa
na noite de Diamantina.

Cris Dakinis

De flores e anjos - Cris Dakinis


De flores e anjos

Nem tudo são flores,
há céu e chão,

fome e pão,

sim e não,
e dores, males no mundo
a cultivar o próprio umbigo.
Mas além surge um alguém
que faz sol e que dá flor,
e recolhe a chuva densa
que inundava nosso colo.
Que seca o sal desse solo,
tosa, livra-nos de espinhos,
e reconstrói o jardim.
É amigo se for assim,
quando tudo são novas flores,
é anjo, é canção, é querubim.
Cdakinis