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terça-feira, 8 de junho de 2010

A TERRA DOR - Por Cris Dakinis


















A TERRA DOR


Há muito, fazemos pouco de ti

Porque mãe

A Terra envolta

Que cede

Seu fruto

Seu tudo

Seu meio

A vida

Os seios nutrindo...


Há pouco, fazemos algo por ti

Porque mãe

A Terra de volta

Que sede

De fruto

De tudo

De meio

A vida?

Os seios secando...


Agora, fazemos poemas pra ti

Porque mãe

A Terra revolta

Que treme

Sem fruto

Sem nada

Sem meio

A vida?

Os seios aguando degelo...


É tempo de fazermos tudo por ti

Porque mãe

Idosa e febril

Calor imaternal

Da natureza morta

Reconstruirmos a fonte

Nosso eco de eras

A Terra dor?

Filhos desnaturados...

* Cris Dakinis



SIRVO-ME DO ACERVO! Por Cris Dakinis



















SIRVO-ME DO ACERVO!


Uma pausa

A manhã passou

e antes que seja tarde,

ora, é hora de almoçar!

Uma caminhada saudável e

adiante, a aguardada iguaria:

variada, leve... Levo!

Levo os livros e leio livre...

Alguém chega e compartilha

a mesa comigo, em meio a folheados.

Aprecio o acompanhamento e

sirvo-me de boa pedida

Muito crônica

Meio poética

É de novelas!

Nem te conto...

Se eu me descuido, ela rende!

Perigo é desandar...

Sobre mesas alheias, folheados variados

A biblioteca é o meu café

rápido, imprescindível, habitual

prazeroso, aromático, intelectual

Agora, a hora de ir embora

Levo o lido acolhido

Volto sempre!

Sirvo-me da farta variedade...

Sirvo-me do acervo!

Apuro meu paladar diário

no mesmo horário...

Quisera eu ser o bibliotecário!


* Cris Dakinis

23ª Noite Nacional de Poesia 2010

ROTINA DE UM CAIÇARA - Cris Dakinis











Arte gráfica do poema elaborada por Heloisa Galves

ROTINA DE UM CAIÇARA

Disposto, o caiçara chega da lida

Seus pés marinados na água salgada

Tá rico! Deu conta da eterna jornada

Os dias de pesca é a rotina da vida


Em casa, a família espera com fome

Os filhos acodem e estendem a rede

Cai a chuva então: ói água pra sede!

O povo de casa se orgulha do nome


Desse pai caiçara, que dia a dia

Traz gosto, comida; traz o ganha pão

A mãe tá contente aguando a pia

Repleta de peixes pra trazer o tostão

Mais tarde, vai ele pra feira na praça

Os peixes regados são frescos do dia

Contente, o caiçara no seu dia a dia

Ao fundo, a lagoa: a fonte da graça!


Lá vem temporal! Pra casa então...

Em casa, o caiçara encontra os seus

Filhos festejando o banho dos céus

Patroa lavando o chão com sabão


Madruga com vento assanha a lagoa

Em pouco, o caiçara sairá pra pescar

Toma o seu café e um tasco de broa

Tá novo pra lida nas águas do mar

* Cris Dakinis

4º lugar na XXIII Noite Nacional da Poesia (UBE/MS/maio2010)