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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Salvo tuas mãos do sono, onde agora tudo singra e nada breve é o que se espera. Nenhuma palavra rompe o eterno que se desenha ou o impossível que se desculpa. Rente no assim tão dentro do enlouquecer dos dedos, do caminho que não conseguem. Teu escrito molhado num vício-corpo é qualquer coisa entre ir, sem se levar. Tudo escorre. Tudo migra. A distância não vira poema. Só o olhar de quem morre, de quem pede fim. Solidão coberta por lençóis de linho. Espelho-teto de uma lua amíngua.
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Salvo tua boca do silêncio onde agora nada vinga. Socorro tua palavra do corte, da nossa imagem embaçada nesse pedaço de céu espelhado. Gozo incerto que adormece os homens, antes de serem homens. Corpos num eclipse afora, na fase diminuta de seguir, ficando. Teu rastro de quem esquece, tua loucura de quem já se foi. Sono de quem arde ou adormece assim. No instante rompido de não estar, estando. Solidão nua. Sem lençol sem nada. Num banho morno de sarar não-ditos, de curar os escritos pontiagudos da tua língua.

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